segunda-feira, 20 de agosto de 2012 | By: Isis Cardoso

Desalento

Pra quê essa mão estendida
Se não há quem a possa segurar?
É chegada a hora da partida,
E só o que te resta é se apartar.

Pra quê esse olhar para o vento
Se não há quem o possa corresponder?
Não é necessário todo esse desalento,
Fique em silêncio e veja tudo se desfazer.

Pra quê essa lágrima corre
Se não há ombro que a possa amparar?
Por que tudo tem que seguir este esquema?

Onde enterram outra esperança que morre?
Agora, tudo volta a seu devido lugar
E eu silencio meus lamentos em mais um poema.

sábado, 11 de agosto de 2012 | By: Isis Cardoso

Aventura

Em meio ao tédio que me consome, resolvo correr no fim de tarde para esquecer do mundo. Esquecer os conceitos, os problemas, as pessoas (e suas palavras duplas), as responsabilidades, o passado, o presente e o futuro.

Não há nada a me prender além do chão, não há nada a almejar além do ar no meu rosto, soprando liberdade e inconsequência. No entanto, há um tudo a contemplar; desde os transeuntes à flora e fauna que nunca pensei encontrar tão perto de mim e longe de tudo.

Observo tudo, capturo tudo, sinto o chão deslizar veloz sob meus pés até desconhecer meu destino. Então, vem o desespero: há um lugar para voltar, um leque de circunstâncias que me prende mais que o tapete de piche abaixo de mim. Por instantes, não me parece tão boa a ideia de ser leve como uma pluma e me deixar levar pelo vento.

Procuro, em frenesi, por evidências que me façam voltar. Olho ao redor - não mais com o deslumbre de outrora, mas quase com um ar investigativo - e encontro os rastros da empreitada inconsequente gravados no firmamento. Em instantes, estou entre o real e o etéreo. Posso me esquecer para sempre até fenecer ou seguir meu rumo, triunfante pelo risco.

Contemplo os portais da terra do esquecimento e, veloz, sigo a rota de volta a meu recanto com um olhar assustado, o sangue fervilhando nos vasos, a boca seca, as pernas trêmulas, o coração hiperativo e o sorriso de quem faria toda essa estrepolia outra vez pela sensação ultrajante de sentir a vida correr pelo corpo.

Por fim, consegui esquecer de todas as minhas aflições e, mesmo que por alguns minutos, lembrar apenas da aventura que sempre almejei.


segunda-feira, 6 de agosto de 2012 | By: Isis Cardoso

Tolice.

Foi tolice acreditar nesse jogo de sedução inconstante e ilusório; e, logo agora que eu tento me encontrar, a lembrança dos teus olhos faz minha mente se perder.

Você deve achar todo esse espetáculo muito divertido, mas não dá pra mim. Eu preciso fugir de todas essas sensações antes que você me deixe no fundo do poço, isso sim.

Eu vou ser feliz, e farei isso longe dos seus olhos de abismo. Então, por favor, me deixe em paz e não surja no caminho que eu trilhar. Eu tenho uma vida, e ela não te inclui.