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O motivo
Existir é atuar, fazer algo importante, de sentido... existir é Pensar.
Pensar... pensar é viajar pela mente, procurando soluções e ideias .
Escrever... É transmitir as ideias pro papel, é confirmar sua existência... é pensar.
Por isso existimos, pensamos e escrevemos.
[texto original de Sam Grangeiro]
Contemplando?
Vênus
Corpo nu na penumbra
Com um ou outro feixe de luz
Trazem o fascínio
A ponto de fazer desviar o olhar
Por mais de três
Segundos
Que separam tua tez de minhas
Roupas de loja de departamento
Na tua casa de paredes referenciadas
Eu penso em uma frase
Mas nada me vem quando eu quero
Escrever
Com a minha língua o meu nome
Na tela em branco do teu corpo esguio
Em cada pele ou cada pêlo
Ler em morse seus arrepios em minhas mãos
E venerar o teu belíssimo
Prazer
Quando meu corpo se desnuda e te preenche,
Quando você tenta acender um cigarro,
Quando te falta momentaneamente o ar
E você se deita
Com um poeta roncando no seu
Ombro
E teu corpo confortável se curva
E aquece a minha tez no cochilo
Depois de me agitar em prazeres nefandos
Ao me trazer a seu santuário
E me provares que realmente és
Vênus.
Plataforma 8
A linha amarela é para a sua proteção
Observe o espaço entre o trem e a plataforma
Todos deverão desembarcar na próxima estação
Estamos aguardando a liberação do tráfego
Este veículo permanecerá parado
O ramal está com intervalos irregulares
E todo dia tudo tem de similar um certo bocado
O solavanco da serpente de metal
Em cabos altos de eletricidade
E trilhos grossos parafusados
O solavanco da serpente de metal
Que com seus trilhos corta a cidade
E segue com seus vagões lotados.
Devagarinho
nem você
muito menos nós
Esse pode não ser o momento certo
ou depois
ou nenhum outro
Mas há algo a nosso respeito
em nossos beijos
em nossos toques
Que eu devo dizer,
enaltecer sua presença
e remoer sua falta.
Há algo entre nós,
de qualquer jeito
então deixa ser bem devagarinho até o tempo decidir.
(Este poema foi inspirado por "Something About Us" - Daft Punk)
Decadência
Você tomava seus remédios e tentava se cuidar,
Eu comia salada e fazia exercícios
E a gente trocava afagos destemidos.
Você sorria de um lado e eu de outro,
Até que sorrateiramente veio o fim.
E os vícios que você abominava
Começaram a te tomar.
De ambos os lados, o caos:
Você, com suas cervejas e cigarros
Enquanto eu te chorava pra fora de mim
Com um ou outro lixo alimentar.
Ambas formas de males pra esquecer,
Mas eu sei que você vai lembrar.
Nervos.
Que não fosse essa vontade
De te ver mais uma vez
E te ter mais uma vez,
Está me dando nos nervos
Pensar em alguma coisa
E lembrar de você...
E querer ter você
E é bastante provável
Que as coisas por sua parte
Não estejam assim,
Que não me queira assim.
Eu queria tecer versos
Pra falar de qualquer coisa
Que não seja você,
Mas eu volto a você
Quando eu lembro do teu beijo,
Do teu toque, do teu cheiro
E seus olhos me vem,
E sua voz me vem.
É mais forte do que eu
Essa ansiedade estranha
De você me notar,
De você me aprovar.
Mas eu queria demais
Escrever sobre algo
Que não fosse você,
Mas eu volto a você
Mas e quanto a você,
Será que vai me corresponder
E se voltar para mim?
E dar uma chance pra mim?
Agonia que me corta
Enquanto eu espero o karma
De esbarrar com você.
5 a.m.
Nada pra fazer.
Não, eu não errei
A letra do funk
Eu só me lembrei
E resolvi recordar
Sem rimas mesmo
Ou talvez mesmo sem nexo
De quando eu tentei dormir
E seu carinho me invadiu,
Pouco a pouco
Tomando conta de mim
Bem devagar
Querendo cada vez mais,
Sem pressa mesmo,
Devagar, quase parando o tempo
Meu corpo no teu toque quente,
Tua voz entranhada aqui
Nos meus pensamentos desordenados
Em forma de canções suaves
E eu, que sempre rimei
E sempre organizei métricas
Acabo fazendo versos avulsos
Pós-modernos demais até pra mim.
Cinco da manhã
Nada pra fazer.
Não, eu não errei
A letra do funk.
Polissílabo
Não tinha os cabelos compridos
Nem o cheiro inebriante
Do corpo pequeno e esguio.
A voz que diz adjetivos
Não sai de sua ressonância
E as mãos que me apalpam no escuro
Não são suas mãos vagarosas
E o nome que sai de minha boca
Ah, como queria que fosse
Mas não é o seu polissílabo.
Eu sei, nada tenho contigo
Tudo o que eu tenho é vontade
Mesmo me aplacando em outro corpo.
Muito Longe De Mim
Considerações.
Eu não vou mais ler os seus textos,
Não vou me perder nos seus olhos,
Não vou ansear teu sorriso,
Não vou desejar teu abraço.
Não vou te pedir meus cadernos,
Não vou te pedir outra chance,
Não vou confessar o que sinto,
Pois isso nem eu sei ao certo.
Eu não quero que retornes,
Eu não quero te rever,
Eu não quero que tu olhes pra mim.
Eu não quero mais querer-te,
Eu não quero enlouquecer,
Eu não quero, mas decreto o fim.
Fogo
Fogo em meus cabelos
Fogo em meu olhar
Fogo que se acende ao querer contigo estar.
Eu te fiz um poema curto
Que nunca te entregarei a ler.
Vou sorrir por teu olhar
E da falta dele padecer.
Fogo que há no Sol
Fogo disperso pelo ar
Fogo que tua voz acende e teu gelo faz questão de apagar.
E agora, o que me resta?
Um lugar nebuloso para retornar,
As palavras engolidas que eu nunca vou falar
E as cinzas do fogo que outrora houve em meu olhar.
Desalento
Pra quê essa mão estendida
Se não há quem a possa segurar?
É chegada a hora da partida,
E só o que te resta é se apartar.
Pra quê esse olhar para o vento
Se não há quem o possa corresponder?
Não é necessário todo esse desalento,
Fique em silêncio e veja tudo se desfazer.
Pra quê essa lágrima corre
Se não há ombro que a possa amparar?
Por que tudo tem que seguir este esquema?
Onde enterram outra esperança que morre?
Agora, tudo volta a seu devido lugar
E eu silencio meus lamentos em mais um poema.
Ilimitado
Crie asas, salte alto, corra sem cansar;
Não existe limites entre a terra e o ar
Quando se está entregue ao inconsciente
Tudo é permitido, nada é permanente.
Há também o lado sombrio da alma,
Onde se esquece de onde vem a calma
E todos os temores se tornam concretos
Em meio a momentos perigosos e incertos.
A vida e a morte,
O cômico e o trágico,
O lacrimoso e o medonho
Ao fechar os olhos e entregar-se à sorte.
Qualquer segundo pode ser mágico
No mundo ilimitado de um sonho.
Espreguiçar
Deixa o tempo escorrer,
Deixa o mundo se acabar,
O tempo é feito pra correr,
A gente é feito pra parar.
Não precisa tanta pressa,
Não precisa estremecer.
A gente é feito pra parar,
O tempo é feito pra correr.
Então deixa o tempo se espreguiçar
E se aninhe nos meus braços devagar,
Nem reflita se isso é insensatez.
Deixa eu me perder no seu sorriso
Sem tempo, espaço ou nada disso,
Sem pressa, trilhando um passo por vez.
Cores
Boca Roxa








