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segunda-feira, 19 de setembro de 2016 | By: Isis Cardoso

Vênus

Venus
Corpo nu na penumbra
Com um ou outro feixe de luz
Trazem o fascínio
A ponto de fazer desviar o olhar
Por mais de três

Segundos
Que separam tua tez de minhas
Roupas de loja de departamento
Na tua casa de paredes referenciadas
Eu penso em uma frase
Mas nada me vem quando eu quero

Escrever
Com a minha língua o meu nome
Na tela em branco do teu corpo esguio
Em cada pele ou cada pêlo
Ler em morse seus arrepios em minhas mãos
E venerar o teu belíssimo

Prazer
Quando meu corpo se desnuda e te preenche,
Quando você tenta acender um cigarro,
Quando te falta momentaneamente o ar
E você se deita
Com um poeta roncando no seu

Ombro
E teu corpo confortável se curva
E aquece a minha tez no cochilo
Depois de me agitar em prazeres nefandos
Ao me trazer a seu santuário
E me provares que realmente és

Vênus.
sexta-feira, 9 de setembro de 2016 | By: Isis Cardoso

Plataforma 8

Preste atenção ao fechamento das portas
A linha amarela é para a sua proteção
Observe o espaço entre o trem e a plataforma
Todos deverão desembarcar na próxima estação

Estamos aguardando a liberação do tráfego
Este veículo permanecerá parado
O ramal está com intervalos irregulares
E todo dia tudo tem de similar um certo bocado

O solavanco da serpente de metal
Em cabos altos de eletricidade
E trilhos grossos parafusados

O solavanco da serpente de metal
Que com seus trilhos corta a cidade
E segue com seus vagões lotados.

Devagarinho

E posso não ser a pessoa certa
nem você
muito menos nós

Esse pode não ser o momento certo
ou depois
ou nenhum outro

Mas há algo a nosso respeito
em nossos beijos
em nossos toques

Que eu devo dizer,
enaltecer sua presença
e remoer sua falta.

Há algo entre nós,
de qualquer jeito
então deixa ser bem devagarinho até o tempo decidir.

(Este poema foi inspirado por "Something About Us" - Daft Punk)
segunda-feira, 6 de junho de 2016 | By: Isis Cardoso

Decadência

Tudo parecia tão saudável até acabar
Você tomava seus remédios e tentava se cuidar,
Eu comia salada e fazia exercícios
E a gente trocava afagos destemidos.

Você sorria de um lado e eu de outro,
Até que sorrateiramente veio o fim.
E os vícios que você abominava
Começaram a te tomar.

De ambos os lados, o caos:
Você, com suas cervejas e cigarros
Enquanto eu te chorava pra fora de mim

Com um ou outro lixo alimentar.
Ambas formas de males pra esquecer,
Mas eu sei que você vai lembrar.
terça-feira, 31 de maio de 2016 | By: Isis Cardoso

Nervos.

Queria escrever algo
Que não fosse essa vontade
De te ver mais uma vez
E te ter mais uma vez,

Está me dando nos nervos
Pensar em alguma coisa
E lembrar de você...
E querer ter você

E é bastante provável
Que as coisas por sua parte
Não estejam assim,
Que não me queira assim.

Eu queria tecer versos
Pra falar de qualquer coisa
Que não seja você,
Mas eu volto a você

Quando eu lembro do teu beijo,
Do teu toque, do teu cheiro
E seus olhos me vem,
E sua voz me vem.

É mais forte do que eu
Essa ansiedade estranha
De você me notar,
De você me aprovar.

Mas eu queria demais
Escrever sobre algo
Que não fosse você,
Mas eu volto a você

Mas e quanto a você,
Será que vai me corresponder
E se voltar para mim?
E dar uma chance pra mim?

Agonia que me corta
Enquanto eu espero o karma
De esbarrar com você.
quinta-feira, 26 de maio de 2016 | By: Isis Cardoso

5 a.m.

Cinco da manhã
Nada pra fazer.
Não, eu não errei
A letra do funk

Eu só me lembrei
E resolvi recordar
Sem rimas mesmo
Ou talvez mesmo sem nexo

De quando eu tentei dormir
E seu carinho me invadiu,
Pouco a pouco
Tomando conta de mim

Bem devagar
Querendo cada vez mais,
Sem pressa mesmo,
Devagar, quase parando o tempo

Meu corpo no teu toque quente,
Tua voz entranhada aqui
Nos meus pensamentos desordenados
Em forma de canções suaves

E eu, que sempre rimei
E sempre organizei métricas
Acabo fazendo versos avulsos
Pós-modernos demais até pra mim.

Cinco da manhã
Nada pra fazer.
Não, eu não errei
A letra do funk.

Polissílabo

Na cama, o corpo ao meu lado
Não tinha os cabelos compridos
Nem o cheiro inebriante
Do corpo pequeno e esguio.

A voz que diz adjetivos
Não sai de sua ressonância
E as mãos que me apalpam no escuro
Não são suas mãos vagarosas

E o nome que sai de minha boca
Ah, como queria que fosse
Mas não é o seu polissílabo.

Eu sei, nada tenho contigo
Tudo o que eu tenho é vontade
Mesmo me aplacando em outro corpo.
quarta-feira, 23 de abril de 2014 | By: Isis Cardoso

Muito Longe De Mim

Noites em claro passo
Tentando te encontrar,
Nem que seja nos meus pensamentos.

Sentimentos estranhos
Estão sempre a me cercar
e o medo se aproxima em momentos.

Hoje você está
Muito longe de mim, 
Mas quem sabe, um dia,
Não seja mais assim.

Mesmo que num instante,
Eu quero ter você
 E te guardar pra sempre, 
Meu bem querer.
quarta-feira, 29 de maio de 2013 | By: Isis Cardoso

Considerações.

Eu não vou mais ler os seus textos,
Não vou me perder nos seus olhos,
Não vou ansear teu sorriso,
Não vou desejar teu abraço.

Não vou te pedir meus cadernos,
Não vou te pedir outra chance,
Não vou confessar o que sinto,
Pois isso nem eu sei ao certo.

Eu não quero que retornes,
Eu não quero te rever,
Eu não quero que tu olhes pra mim.

Eu não quero mais querer-te,
Eu não quero enlouquecer,
Eu não quero, mas decreto o fim.

domingo, 14 de outubro de 2012 | By: Isis Cardoso

Fogo

Fogo em meus cabelos
Fogo em meu olhar
Fogo que se acende ao querer contigo estar.

Eu te fiz um poema curto
Que nunca te entregarei a ler.
Vou sorrir por teu olhar
E da falta dele padecer.

Fogo que há no Sol
Fogo disperso pelo ar
Fogo que tua voz acende e teu gelo faz questão de apagar.

E agora, o que me resta?

Um lugar nebuloso para retornar,
As palavras engolidas que eu nunca vou falar
E as cinzas do fogo que outrora houve em meu olhar.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012 | By: Isis Cardoso

Desalento

Pra quê essa mão estendida
Se não há quem a possa segurar?
É chegada a hora da partida,
E só o que te resta é se apartar.

Pra quê esse olhar para o vento
Se não há quem o possa corresponder?
Não é necessário todo esse desalento,
Fique em silêncio e veja tudo se desfazer.

Pra quê essa lágrima corre
Se não há ombro que a possa amparar?
Por que tudo tem que seguir este esquema?

Onde enterram outra esperança que morre?
Agora, tudo volta a seu devido lugar
E eu silencio meus lamentos em mais um poema.

terça-feira, 31 de julho de 2012 | By: Isis Cardoso

Ilimitado

Crie asas, salte alto, corra sem cansar;
Não existe limites entre a terra e o ar
Quando se está entregue ao inconsciente
Tudo é permitido, nada é permanente.

Há também o lado sombrio da alma,
Onde se esquece de onde vem a calma
E todos os temores se tornam concretos
Em meio a momentos perigosos e incertos.

A vida e a morte,
O cômico e o trágico,
O lacrimoso e o medonho

Ao fechar os olhos e entregar-se à sorte.
Qualquer segundo pode ser mágico
No mundo ilimitado de um sonho.

terça-feira, 3 de julho de 2012 | By: Isis Cardoso

Espreguiçar

Deixa o tempo escorrer,
Deixa o mundo se acabar,
O tempo é feito pra correr,
A gente é feito pra parar.

Não precisa tanta pressa,
Não precisa estremecer.
A gente é feito pra parar,
O tempo é feito pra correr.

Então deixa o tempo se espreguiçar
E se aninhe nos meus braços devagar,
Nem reflita se isso é insensatez.

Deixa eu me perder no seu sorriso
Sem tempo, espaço ou nada disso,
Sem pressa, trilhando um passo por vez.

quarta-feira, 25 de abril de 2012 | By: Isis Cardoso

Cores

Eu me fiz mar,
E me fiz sol, e terra, fogo e ar.
Me fiz grama pra você pisar,
Me colori em arco-íris pra te impressionar.

E em meio a esse oásis que criei,
A todo o paraíso que proporcionei,
Toda essa linda paisagem que te doei,
Todo espectro de cores que te dei

Preferistes o incerto,
Não quisestes ter a mim por perto,
Em meio à chuva preferistes ao deserto.

Então não farei chover,
Fique no deserto, ou onde escolher.
As minhas cores você não vai mais ver.


terça-feira, 20 de março de 2012 | By: Isis Cardoso

Boca Roxa





Ricardo Reis

“Bocas roxas de vinho, 
Testas brancas sob rosas, 
Nus, brancos antebraços 
Deixados sobre a mesa;

Tal seja, Lídia, o quadro 
Em que fiquemos, mudos, 
Eternamente inscritos
Na consciência dos deuses.

Antes isto que a vida
Como os homens a vivem
Cheia da negra poeira
Que erguem das estradas.

Só os deuses socorrem
Com seu exemplo aqueles
Que nada mais pretendem
Que ir no rio das coisas.

(Fernando Pessoa, 08/1915)
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012 | By: Isis Cardoso

Onde?

Estou longe de você,
Estou longe de mim,
Estou longe de tudo,
Onde está você, meu bem?
(Você está além de mim, ou de nós.)

Eu vejo as palavras,
Eu vejo as lembranças,
Eu vejo o vazio,
Onde está você, meu bem?
(Você está me partindo por dentro.)

Tão perto das mãos,
Tão longe dos olhos,
Tão longe na alma,
Onde está você, meu bem?
(Seu erro foi me deixar tão livre.)

Você não está aqui,
Você não está aí pra mim,
E sentirá minha falta
Ao perceber que me fui.
(Abra os olhos e me veja partir.)

Estou só no estio,
Estou só no vazio...
E você não está aqui.
Esqueça que eu existo, meu bem.

(EU PARTI.)
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012 | By: Isis Cardoso

Seus Olhos São Ainda Mais Bonitos Em Quarenta Polegadas

Não sei o quê ao certo que me afeta em você, me tira o controle e me faz ensandecer... Eu penso em mil maneiras pra poder te ter, mas não sei se eu consigo.

Todo mundo quer a mesma coisa que eu, todos tão reais diante de meu ser plebeu e eu penso se um dia o teu beijo será meu, mas não sei se consigo.

Então, olho de longe sem nada a acrescentar; olho bem de longe para não incomodar, longe o suficiente para o teu olhar não cruzar com a insegurança do meu.

Não sei porque todos desejam o prazer de ter você, de estar a seu dispor à serviço do seu prazer... Eu penso em mil maneiras para te esquecer, mas sei que não consigo.

Embora todos estejam mais próximos que eu, mais privilegiados que meu pobre ser plebeu que de olhos abertos sonha com um beijo teu, mas não sei se consigo.

Eu insisto, persisto, desisto, mas você me provoca a voltar a insistir em querer o calor da tua pele; e sei que mesmo que todos também queiram, eu vou conseguir.

Risos Ácidos



Risos ácidos escorrem de meus lábios com uma alegria destrutiva e uma melancolia que corroi e traz a cada certeza minha o fim; entre o deslumbramento e o caos, o ar cáustico de meus pulmões traz a meu corpo uma dor que doi demais para mim.

Os meus olhos nebulosos, com as dúvidas que permeiam minha alma através do cotidiano, vão além do que se vê: a tristeza, a alegria, a paz e a agonia, madrugada, tarde e dia, minha mente fantasia com você - mesmo sem saber quem é você.

A acidez no sorriso traz toda a dor por dentro, o som bobo que sai da boca exorciza o sofrimento que me toma cada vez que me perco na escuridão quando vem a noite fria e ninguém me vê; quando não há mais respostas pra tanto porquê o desejo pelo erro cicatriza as mágoas do coração.

Por cada um que se foi e nunca mais voltará, por cada um que não foi - mas eu quero que se vá -, por cada um que eu quis e para quem eu quero agora: em cada sonho plácido em que me procurar todos os risos ácidos terão o seu lugar no meu mundo de dentro e no mundo afora.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012 | By: Isis Cardoso

Açoite

Mais uma noite mal dormida pela frente, 
Com o teu beijo apenas em minha mente,
Sem ocorrência alguma de tal fato,
Sem consumar minha vontade de tal ato.

Mais uma vez, abraçarei o travesseiro
Sem o calor de tua pele, sem teu cheiro.
Apenas com o anseio de que aconteça,
Com teu sorriso preso em minha cabeça.

Mais uma noite em que suspiro,
Que depressa eu respiro
No delírio do desejo

Que termine esse açoite
E que só por uma noite
Eu possa provar teu beijo.


quinta-feira, 19 de janeiro de 2012 | By: Isis Cardoso

Mistério

Entre o belo e o horrendo,
O produto e o dividendo,
Entre o corpo e o chão,
O pecado e o perdão.

Entre o comum e o esquisito,
O lembrado e o esquecido,
Entre o sacro e o profano,
Nada além de um ser humano.

Entre o mono e o estério,
O engraçado e o sério,
A névoa e o caos aéreo,

O concreto e o etéreo,
O hospital e o cemitério
Está a vida em mistério.