quarta-feira, 29 de maio de 2013 | By: Isis Cardoso

Considerações.

Eu não vou mais ler os seus textos,
Não vou me perder nos seus olhos,
Não vou ansear teu sorriso,
Não vou desejar teu abraço.

Não vou te pedir meus cadernos,
Não vou te pedir outra chance,
Não vou confessar o que sinto,
Pois isso nem eu sei ao certo.

Eu não quero que retornes,
Eu não quero te rever,
Eu não quero que tu olhes pra mim.

Eu não quero mais querer-te,
Eu não quero enlouquecer,
Eu não quero, mas decreto o fim.

quarta-feira, 22 de maio de 2013 | By: Isis Cardoso

Asma

"Sou um retrato que tua mão revelou..."

Tua mão, que já tocou a minha, que já afagou meus cabelos, já afanou meus braços e seguiu cada contorno do meu rosto. Tua mão que foi tão tua quanto minha, mas no fundo não foi de ninguém, afinal, você sequer se pertence. Tua mão que prepara, tal qual um artífice, mais uma paixão de mentira para preencher seu coração vazio e gélido.

"Cópia barata do que eu acho que sou..."

Eu achei que fosse seu amor, achei ser feliz ao seu lado, achei que minha alegria contrabandeada a seu lado duraria bastante. Não fomos feitos pra durar, sequer chegamos perto disso. Agora, eu acho que eu sou só um borrão, um reinvento, uma cópia desbotada de alguém feliz e esperançoso que um dia eu fui.

"E sim, amor, eu sei que não devia."

(Texto baseado na música homônima de Visconde)

terça-feira, 21 de maio de 2013 | By: Isis Cardoso

Cinzeiro.

Olhava para o ceu quase negro e tragava a fumaça de mais um cigarro. Se era o sexto ou o nono, não importava mais, fazia aquilo para exorcizar seus demônios ou buscar uma morte mais rápida, o que viesse primeiro.

Cerrava seu cenho enquanto seus olhos vazios contemplavam a janela. Era escuro como seus sonhos, sua vida e -se continuasse naquela perspectiva- seus pulmões. Não havia mais nada que trouxesse-lhe a alegria, não havia um motivo para mostrar seu sorriso outrora manchado apenas pelo café. No rosto, uma barba da sexta-feira, na televisão um programa imbecil de entretenimento dominical.

Já não cria em Deus ou no diabo, muito menos em Darwin ou Lavoisier. Não cria na satisfação consumista nem na igualdade utópica do socialismo. Nenhuma crença traria a vida de volta a seu fôlego, nada motivava a produtividade de seus dias.
Todas as portas pareciam iguais, todo crime e todo castigo no fundo parecia nada. Ela morreu diante de seus olhos há um ano ou dois, se ele bem conseguia esquecer. Com um tiro no peito e sangue ao seu redor, uma vítima do caos urbano. Seu último pedido foi "seja feliz, mesmo que eu não possa sorrir contigo", mas ele não conseguiu.

Sua alegria fora alvejada e o que restava era apenas existir, vazio e com a alma amargurada entre as cinzas de seus cigarros e seus pensamentos.

sexta-feira, 17 de maio de 2013 | By: Isis Cardoso

Sobre os gênios.

Parabéns, você conseguiu o que tanto quis. Quis tanto ser um gênio incompreendido, um cérebro avantajado, um aedo solitário em um mundo de ruídos sombrios que conseguiu.

Olha só pra você, tão desprezível com esse ar superior, se isolando da beleza do mundo para perder a vida entre artigos e acordes, olhando para todo mundo como se fossem o lixo da sociedade quando na verdade o resto de curetagem do mundo é você, ferindo as pessoas para compensar sua fraqueza física e psicológica, fazendo brotar a paixão nas pessoas enquanto seu coração é triste demais para conseguir fazer alguém feliz, querendo demonstrar muita maturidade mas no fundo sendo só um bebê chorão querendo colo.

Você não contava com o fato de que pessoas que você chamava de herois fossem apenas vermes arrastando os ventres em suas próprias agonias e comendo a poeira de um mundo imenso e pleno, não é? Pois este é o mundo e seu plano deu certo, só não reclame da dor de seu prêmio.

Não aceitamos devoluções.

Nem todos os dias de Sol, nem todos os lábios que você beijar, nem todos os corpos que você abraçar, nem todos os elogios que você receber e muito menos toda a vodka que você beber para te aquecer por dentro vai derreter o gelo da sua alma, contente-se com isso ou ouse ser um pouco menos desprezível que você e que todos os bons e maus que vieram antes.

Seja seu próprio heroi.

segunda-feira, 13 de maio de 2013 | By: Isis Cardoso

Xeque.

No teu tabuleiro eu quis ser pelo menos torre ou cavalo,
Com sorte até bispo,
Mas eu só fui peão.

Você judiou do mim, me tirou de combate,
Pôs em xeque-mate o meu coração.

Não pude escapar do seu xeque-pastor,
Esse seu xadrez não pode ser chamado de amor.

Você só manipula
Tal qual em um tabuleiro,
Faz seu jogo o tempo inteiro
E não aceita perder.

Você manipula
Tal qual em um tabuleiro.
Mas eu não vou mais te entreter.