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sexta-feira, 9 de setembro de 2016 | By: Isis Cardoso

Plataforma 8

Preste atenção ao fechamento das portas
A linha amarela é para a sua proteção
Observe o espaço entre o trem e a plataforma
Todos deverão desembarcar na próxima estação

Estamos aguardando a liberação do tráfego
Este veículo permanecerá parado
O ramal está com intervalos irregulares
E todo dia tudo tem de similar um certo bocado

O solavanco da serpente de metal
Em cabos altos de eletricidade
E trilhos grossos parafusados

O solavanco da serpente de metal
Que com seus trilhos corta a cidade
E segue com seus vagões lotados.

Devagarinho

E posso não ser a pessoa certa
nem você
muito menos nós

Esse pode não ser o momento certo
ou depois
ou nenhum outro

Mas há algo a nosso respeito
em nossos beijos
em nossos toques

Que eu devo dizer,
enaltecer sua presença
e remoer sua falta.

Há algo entre nós,
de qualquer jeito
então deixa ser bem devagarinho até o tempo decidir.

(Este poema foi inspirado por "Something About Us" - Daft Punk)
segunda-feira, 6 de junho de 2016 | By: Isis Cardoso

Decadência

Tudo parecia tão saudável até acabar
Você tomava seus remédios e tentava se cuidar,
Eu comia salada e fazia exercícios
E a gente trocava afagos destemidos.

Você sorria de um lado e eu de outro,
Até que sorrateiramente veio o fim.
E os vícios que você abominava
Começaram a te tomar.

De ambos os lados, o caos:
Você, com suas cervejas e cigarros
Enquanto eu te chorava pra fora de mim

Com um ou outro lixo alimentar.
Ambas formas de males pra esquecer,
Mas eu sei que você vai lembrar.
terça-feira, 31 de maio de 2016 | By: Isis Cardoso

Nervos.

Queria escrever algo
Que não fosse essa vontade
De te ver mais uma vez
E te ter mais uma vez,

Está me dando nos nervos
Pensar em alguma coisa
E lembrar de você...
E querer ter você

E é bastante provável
Que as coisas por sua parte
Não estejam assim,
Que não me queira assim.

Eu queria tecer versos
Pra falar de qualquer coisa
Que não seja você,
Mas eu volto a você

Quando eu lembro do teu beijo,
Do teu toque, do teu cheiro
E seus olhos me vem,
E sua voz me vem.

É mais forte do que eu
Essa ansiedade estranha
De você me notar,
De você me aprovar.

Mas eu queria demais
Escrever sobre algo
Que não fosse você,
Mas eu volto a você

Mas e quanto a você,
Será que vai me corresponder
E se voltar para mim?
E dar uma chance pra mim?

Agonia que me corta
Enquanto eu espero o karma
De esbarrar com você.
quinta-feira, 26 de maio de 2016 | By: Isis Cardoso

5 a.m.

Cinco da manhã
Nada pra fazer.
Não, eu não errei
A letra do funk

Eu só me lembrei
E resolvi recordar
Sem rimas mesmo
Ou talvez mesmo sem nexo

De quando eu tentei dormir
E seu carinho me invadiu,
Pouco a pouco
Tomando conta de mim

Bem devagar
Querendo cada vez mais,
Sem pressa mesmo,
Devagar, quase parando o tempo

Meu corpo no teu toque quente,
Tua voz entranhada aqui
Nos meus pensamentos desordenados
Em forma de canções suaves

E eu, que sempre rimei
E sempre organizei métricas
Acabo fazendo versos avulsos
Pós-modernos demais até pra mim.

Cinco da manhã
Nada pra fazer.
Não, eu não errei
A letra do funk.

Polissílabo

Na cama, o corpo ao meu lado
Não tinha os cabelos compridos
Nem o cheiro inebriante
Do corpo pequeno e esguio.

A voz que diz adjetivos
Não sai de sua ressonância
E as mãos que me apalpam no escuro
Não são suas mãos vagarosas

E o nome que sai de minha boca
Ah, como queria que fosse
Mas não é o seu polissílabo.

Eu sei, nada tenho contigo
Tudo o que eu tenho é vontade
Mesmo me aplacando em outro corpo.
sexta-feira, 23 de novembro de 2012 | By: Isis Cardoso

Lufadas.

A essa hora, você deve estar pensando nos outros braços que você vai enlaçar,
Na outra boca que vai provar o seu beijo, na outra pele que suas mãos vão tatear.

Enquanto isso, escrevo um texto, aqui distante, por sequer ter coragem de ir te olhar...
Dinheiro nem tanto é o problema, o dilema é o que vai me assombrar.
O teu nome disperso pelas paredes da cidade, sussurrado pelas lufadas de ar.
Alguém que não te quer tanto quanto eu te quis em breve estará ocupando o meu lugar.

O meu problema é sentir a tua falta, o meu problema é ainda te procurar
Tendo de volta uma resposta fria, sem nem um sorriso pra me aliviar.

Queria tanto esquecer, de dentro de mim tirar
O sorriso que tanto provoquei, o abismo do teu olhar.
Mas, em vez disso, sofro com as memórias de uma canção a ressoar.

"Não, eu não quero lembrar.
Eu não quero lembrar que eu fui pra você uma simples distração pra você esquecer, eu não quero lembrar que chegamos ao nosso fim.
Eu não quero lembrar que eu vou acordar sabendo que meus olhos não vão te encontrar, eu não quero lembrar que tudo acabou pra mim.
Vou te esquecer.
Por que você insiste em me dizer que ainda existe vida sem você?"

(trecho extraído de "Não quero lembrar" - Fresno)